quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Muse - Thorki Capítulo 2 - Luz e lembranças

Capítulo 2 - Luz e lembranças


Pov's Thor
Já faz quase um ano desde o acidente. Eu ainda sofro a perda. As pessoas querem que eu me esqueça e fique bem, mas todas as noites quando eu fecho meus olhos, eu enxergo a luz forte dos faróis do caminhão já que Heindall saiu da pista por ter cochilado, assim como eu. Acordei com a buzina do caminhão, mas não foi tempo suficiente. Eu consegui puxar o carro pra pista da direita, mas o caminhão estava rápido, era uma BR e foi tudo tão rápido que o maior acertou o lado dele. 
Eu disse a Heindall que precisávamos ficar e pegávamos a estrada ao amanhecer, já que havíamos ficado a noite toda comemorando o nascimento de nosso afilhado, filho de Peter Quill e Gamora, mas ele quis ir pra casa. Eu disse que tinha um pressentimento ruim, porém Heindall odiava dormir fora de casa.
Heindall morreu na hora e isso é a única coisa que me conforta de tudo aquilo. Seria ainda mais traumático e sofrido ter assistido a ele sofrendo e agonizando preso as ferragens. O motorista do caminhão parou na hora. Veio me ajudar a sair do carro e deitar no asfalto, já que eu sofri o impacto todo nas pernas e na coluna. Eu chorava feito um bebê olhando para o carro retorcido e meu marido com o pescoço quebrado. O vidro não apenas quebrou, atravessou a garganta indo parar do outro lado, mas antes de deitar no chão eu chamei por ele, eu tentei afastar o vidro com as mãos, o que me cortou todo.
Enquanto eu esperava a ambulância e a polícia vir, o homem me pedia desculpas e falava tanta coisa e eu só sabia chorar pesando em minha vida como estava destruída naquele momento. Eu era jovem, mas um jovem casado há sete anos e que não sabe o que é viver sem o amor da sua vida mais.
 Eu havia conhecido Heindall através de meu pai, Odin. Meu pai é o pai de todos de minha cidade, Asgard, o velho e famoso dono de quase todas as empresas de lá, e Heindall tinha um pouco mais que a minha idade quando foi trabalhar para ele como segurança. Heindall era bom, o melhor, porque nada parecia escapar de seus olhos de lince e isso ajudou muito meu pai. E foi seu olhar que me conquistou, aliás eu percebi o olhar dele sobre mim imediatamente quando finalmente me interessei pelos negócios.
Foram quase dois meses pra conseguir fazer Heindall aceitar sair comigo, porque eu fiquei interessado de imediato. O homem era lindo, forte, poderoso, uma aura de dominância exalava dele e quando você é jovem, virgem e gay não assumido, um homem desse vestido de terno, com uma barba por fazer e um perfume amadeirado te fisgam pelo umbigo e te levam diretamente pra pessoa.
Nosso primeiro encontro foi uma merda. Tudo que podia dar errado e o que não podia, deu errado também.  Eu não sabia me portar direito em restaurantes, a comida deu alergia nele, fomos para um hospital com ele com a garganta fechando, e menso assim, eu amo a lembrança daquela noite.
Nosso segundo encontro foi na casa dele e ele cozinhou pra mim. Foi a primeira vez e o homem me fisgou pelo estômago também.
Nosso romance foi avassalador. Eu me apaixonei por ele e ele por mim. Nós fizemos a nossa versão de Diário de uma paixão porque em um mês, eu já dizia que o amava, e a gente brigava e se beijava com a mesma frequência. Eram as férias dele e as minhas também da faculdade de artes e por isso, pudemos passar o mês todo namorando, mesmo que não houvesse sexo.
Ele fez questão de contar ao meu pai sobre nosso envolvimento e como Odin tem olhos e ouvidos em todos os lugares, ele já sabia e fazia gosto. Heindall era um ótimo homem, meu pai e minha mãe só ficaram surpresos com o fato de eu ser gay, já que eu nunca tinha contado pra eles.
Heindall e eu nós casamos no civil, não queríamos nada de igreja e festas enormes, apesar de minha mãe ter feito uma gigantesca em nosso jardim para comemorar.
Heindall foi meu primeiro e único homem. Aprendi tudo com ele, desde a beijar corretamente porque meus beijos em outros rapazes eram sempre envergonhados e as pressas por serem escondidos. Nunca tinha tido oportunidade de beijar alguém direito por ter vergonha de ser gay, mas estando com ele, eu tinha orgulho.
Ele foi tão cuidadoso comigo, ao me tocar e ao me deflorar em nossa lua de mel. Pensar nisso me faz sentir dor. Mesmo que eu encontre outra pessoa, ninguém nunca vai me tocar com a mesma suavidade que aquele homem forte fez. Ele me amava, e talvez ninguém mais no mundo vá me amar por eu ser quem eu sou.
Quando fizemos um ano de casados, eu resolvi me exercitar. Eu me sentia feio para meu marido, aliás eu era magro e só tinha olhos claros e um rosto Bonito, apesar de Heindall sempre me tecer tantos elogios que eu me sentia envergonhado. Por volta de um ano de academia e eu tinha um corpo de dar inveja já que meu biotipo ajudava muito a ganhar massa corporal. Se eu era amado antes, agora eu era cortejado todos os dias. Heindall amou ainda mais meus músculos.
Todos os meus quadros eram alegres e eu fazia sucesso como pintor, aliás minha galeria me rendia muito dinheiro, minha consultoria aos negócios do meu pai também, mas agora eu nem mesmo consigo pintar. Meus dedos tremem porque não tem Heindall andando pela casa e sujando minha bochecha de tinta e também porque eu dilacerarei alguns tendendo afastar o ferro retorcido de cima do meu amor, porque de algum jeito, ele parecia estar sufocando pre mim. Os quadros que ele mesmo fazia, geralmente eram sobre mim, pintando e ele me retratava com exatidão do realismo e com amor. Eram sempre cores fortes e alegres.
Não existe nós dois fazendo amor no meio das tintas e era sempre intenso.
Meus amigos e os amigos dele já tentaram de tudo pra me animar, me fazer superar, sair de casa, mas eu não consigo. As pessoas não entendem que até mesmo tomar banho me lembra minha vida com ele e as pessoas não respeitam isso. Ninguém vai entender o que é a intimidade de um casal que toma banho, enquanto o outro se barbeia e o namora com os olhos. Aqueles olhos nunca perdiam um detalhe meu. Elas acham que eu tenho obrigação de superar e ser feliz.
Frandall já fez de tudo, e eu sabia que uma hora ou outra ele mandaria um garoto de programa para minha casa. Ele já tinha tentado de tudo. Eu não esperava que fosse alguém tão bonito. Era um homem lindo, mas não era o Heindall. Eu sei que fui grosso com o rapaz sem necessidade, mas eu não conseguiria nem mesmo conversar com alguém que estava ali pra fazer sexo se eu ainda estava de luto.
Eu me senti um traidor e pedi perdão a Heindall por toda a manhã depois de um banho por pela primeira vez não ter sonhado com o acidente, e sim com os olhos verdes e o sorriso ladino do homem que bateu em minha porta.
O rosto voltou a aparecer no meu pensamento e nos meus sonhos tantas vezes que eu me vi obrigado a pintar um quadro com os malditos olhos esmeraldas. Foi a primeira vez em um mês que eu saí de casa. Fui levar flores ao túmulo em pedido mudo de perdão. Eu tinha tanta culpa.

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